IGMI-R Outubro 2025
Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial
(IGMI-R)
O IGMI-R registrou alta de 2,52% em outubro, acima dos 2,28% observados em setembro. No acumulado em 12 meses, a variação passou de 15,39% para 16,76%, indicando a continuidade do movimento de valorização dos imóveis residenciais no país.
A leitura regional do IGMI-R na variação mensal mostra que três capitais registraram aceleração entre setembro e outubro. Ainda assim, em todas as quatro regiões acompanhadas apresentou desaceleração nas taxas de variação, mesmo com a alta do índice nacional no período.
No Sudeste, houve avanço em São Paulo, onde a taxa passou de 1,32% para 2,41%. No Rio de Janeiro, o índice permaneceu estável em 2,15%, enquanto em Belo Horizonte verificou-se desaceleração, com a variação recuando de 3,81% para 2,14%.
No Nordeste, a desaceleração foi generalizada: Recife de 4,28% para 3,43%, Salvador de 3,61% para 3,05% e Fortaleza de 1,59% para 1,07%.
Já no Sul e no Centro-Oeste, os sinais foram mistos. Apresentaram aceleração, Porto Alegre, de 1,48% para 2,81% e Brasília, de 1,85% para 4,73%, enquanto houve desaceleração nos preços dos imóveis em Curitiba, de 4,12% para 2,46% e Goiânia, de 0,76% para 0,70%.
Até outubro de 2025, o IGMI-R nacional acumula alta de 15,53% no ano, a maior variação para o período desde 2016. O resultado sinaliza um mercado imobiliário residencial aquecido e reforça a trajetória de recuperação em andamento nos últimos anos.
Entre as cidades analisadas, Brasília se destacou: a taxa acumulada saltou de 4,91% em 2024 para 22,36% em 2025, aproximando-se dos patamares mais elevados da série histórica. Goiânia, por sua vez, registrou 9,66%, a menor variação, e mostrou desaceleração relevante frente ao mesmo intervalo de 2024 quando registrou 13,40%, enquanto Salvador apresentou variação de 18,63% para 17,74%.
No conjunto das cidades acompanhadas, o desempenho entre janeiro e outubro de 2025 confirma o dinamismo dos preços residenciais: em sete das dez capitais analisadas, as altas superaram as observadas no mesmo período de 2024.
No acumulado de 12 meses, o IGMI-R segue acelerando em ritmo superior ao INCC, elevando o hiato entre a valorização dos imóveis residenciais, com variação de 16,76% frente os custos de construção de 6,37%. Enquanto o INCC permanece em patamar moderado e relativamente estável — espelhando a dinâmica mais contida dos insumos e da mão de obra —, o IGMI-R reforça o quadro de reaquecimento do mercado imobiliário, sustentado por demanda resiliente e disponibilidade de crédito. Essa divergência indica que a recente valorização dos imóveis não se explica apenas pelos custos de obra, mas também por fatores estruturais de oferta e demanda, como o baixo nível de estoques e a recomposição gradual da confiança de famílias e investidores.
A variação acumulada em 12 meses evidencia movimentos opostos, porém complementares, entre o IGMI-R e o IVAR. O IGMI-R, que mede a valorização dos imóveis residenciais no mercado de compra e venda, mantém ritmo de aceleração, alcançando 16,76% em outubro de 2025 em um mercado ainda aquecido. Já o IVAR, que acompanha a evolução dos contratos de locação, mostra reajustes mais moderados, com alta de 5,58% em 12 meses, indicando aumentos de aluguel ainda contidos e relativamente compatíveis com a renda das famílias. Essa divergência reforça a leitura de um mercado imobiliário em maturação, no qual a valorização dos ativos ocorre em ritmo superior ao dos aluguéis, refletindo restrições de oferta e demanda firme nas principais capitais.
Em outubro de 2025, o IGMI-R acumulou alta de 16,76% em 12 meses, o triplo do IPCA, com 4,68% no mesmo período. Esse descompasso mostra que os preços dos imóveis seguem uma dinâmica própria, menos sensível à cesta de consumo das famílias. A persistência desse diferencial decorre da rigidez da oferta, do efeito ainda presente do encarecimento dos insumos da construção e da demanda resiliente em determinados segmentos e regiões. Nesse cenário, o imóvel segue se consolidando como ativo de preservação de valor em períodos de incerteza, mantendo forte apelo tanto para famílias quanto para investidores.
Na leitura em 12 meses, INCC e IVAR nem sempre caminham juntos. O INCC mede os custos de construção, refletindo a variação dos preços de materiais, equipamentos e mão de obra, enquanto o IVAR acompanha os preços de locação, mais diretamente influenciados pela renda das famílias e pelo equilíbrio entre oferta e demanda de imóveis. Em outubro de 2025, o INCC acumula alta de 6,37%, ao passo que o IVAR avança 5,58%, reforçando a dissociação entre custos de obra e dinâmica dos aluguéis. Mesmo em períodos de desaceleração dos custos de construção, o mercado locatício pode manter reajustes positivos, movimento que espelha oferta restrita em determinadas regiões, demanda persistente e o realinhamento gradual dos contratos.