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Valor médio da locação na cidade de São Paulo está 16% mais alto do que há um ano

Por Circe Bonatelli (Broadcast)

O valor do aluguel de escritórios está batendo recorde na cidade de São Paulo. O quadro resulta do aumento da procura por espaços comerciais devido à redução do home office, que se popularizou na pandemia. Agora, cada vez mais empresas têm voltado ao expediente presencial. Há também empresas expandindo as suas atividades, o que demanda espaço extra para suas equipes.

Levantamento da consultoria imobiliária Binswanger Brazil mostrou que o preço médio anunciado para o aluguel nos edifícios de alto padrão chegou ao recorde de R$ 144 por metro quadrado no terceiro trimestre. Esse valor equivale a um aumento de 16% em um ano (estava em R$ 124/m² no mesmo período de 2025) e de 23% em dois anos (R$ 117/m²).

Paralelamente, a quantidade de espaços vagos nesses prédios diminuiu, chegando a 12,9% no terceiro trimestre, contra 15,1% há um ano e 20,8% há dois anos. “O aumento no preço do aluguel é reflexo da queda na vacância geral do mercado. A oferta e a demanda estão fazendo os preços se recuperarem”, disse a sócia-diretora da Binswanger Brazil, Simone Santos.

O diretor de Ativos e Produtos do Grupo Binswanger, Paulo Izuka, observou que o aumento do aluguel nos escritórios está se disseminando por todas as regiões da capital paulista. “Há cerca de dois anos, o preço começou a subir nas regiões mais centralizadas, como Itaim, Juscelino Kubitschek e Faria Lima, onde a procura é maior. O preço médio do aluguel ali está na faixa de R$ 320/m². Em alguns prédios mais novos, passa de R$ 400/m²”, afirmou.

A redução dos espaços vagos e a subida dos preços nos eixos principais levaram as empresas a procurarem escritórios nos bairros onde havia mais áreas disponíveis e com aluguéis mais camaradas, como Chácara Santo Antônio, Berrini e Chucri Zaidan. Nessas partes da cidade, o valor oscila em torno de R$ 110/m². Mas essa procura crescente fez os aluguéis ganharem fôlego nessas regiões também, observou Izuka. “Hoje, as regiões não centralizadas também vêm subindo os valores.”

Mesmo em ascensão, locação continua defasada

Curiosamente, o aluguel permanece defasado apesar do recorde. Isso acontece porque o mercado de escritórios passou por crises seguidas entre 2015 - recessão da economia brasileira - e 2021 - chegada da pandemia. Por muitos anos, as locações andaram lentamente e ainda sofreram com devoluções de áreas.

Se o aluguel tivesse sido corrigido pelo IPCA desde 2015, o preço médio atual deveria estar em R$ 209/m², segundo a consultoria, não “apenas” R$ 144/m². No caso de correção pelo IGP-M, a conta seria de R$ 179/m², confirmando a defasagem. “Ainda estamos longe de recuperar o que aconteceu nos últimos dez anos”, ressaltou Simone.

A recuperação tardia do mercado deve levar os proprietários dos prédios a pedir a revisão dos contratos nos próximos meses, buscando colocar os preços em valores mais altos e mais próximos da atualidade. Além disso, a maior rentabilidade com os aluguéis deve estimular investimentos na compra e venda de prédios, bem como na construção de novos empreendimentos. “A conta começa a fazer mais sentido para novos projetos. Os desenvolvedores estão de olho nisso”, disso Izuka.